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Capricho juvenil

Pior, não podia ser! No momento preciso em que abandonara triunfante a indiferença e julgara-se pleno de razão, no outro extremo da mesa, o silêncio reflexivo fora abandonado para bagunçar literalmente o coreto e registrar a sua preocupação. E para espezinhar ainda mais, o doutor concluira: o pobre paciente enfiara palavras no orifício da traqueotomia, sem conseguir abandonar o vício do despropósito que leva o vão discurso à morte. Uma imagem terrível que acompanha alguns a vida toda, e ajuda bastante a outros, a deixar de fumar palavras. Conceituar com amplas leituras e reflexões é o que faz o bom e solidário doutor que prima por tiradas inusitadas, agudas e certeiras, pouco preocupadas com convenções e modismos. Se estiver outra vez sentado naquela mesa, comentando as hipócritas justificativas da grande mídia e das autoridades públicas e universitárias, certamente o saudoso doutor diria sem retenção: retirem a fumaça de cigarro das palavras deles. Elas sim, matam! E concluiria, dialeticamente: mas o cigarro é um grande negócio. A indiferença, por vezes, também é. 

9 comente aqui:

✿ chica disse...

Maravilhosa, mais uma vez! Aborda temas e desenvolves muito bem!beijos,chica

Maria Alice Cerqueira disse...

Muito boa tarde Amiga
Desculpe pelo meu silencio, não tem sido por esquecimento, mas por conta do momento que estou vivenciando!
Tem coisas que só o tempo pode curar , para poder voltar a sorrir ao vir lhe visitar.

Natal
É a reconciliação com o nosso coração, renovando o nosso interior com a força do Amor.
Natal
É aprender a reconhecer nossas faltas e nos perdoar pela nossa imperfeição humana, assumindo o compromisso da nossa renovação espiritual.

Tenha uma linda Semana coberta de muita paz e amor
Abraço amigo
Maria Alice

Luna Sanchez disse...

Penso que a indiferença seja o maior deles, Renata...

Um beijo.

Cacá - José Cláudio disse...

Metáforas dialéticas para lidar com idiossincrasias meio torpes. Grande Renata! Muito bom! Abração. Paz e bem.

SONINHA disse...

A indiferença é terrível, amiga!
Beijocas, querida!

ONG ALERTA disse...

As coisas mudam com a vida...beijo Lisette.

Catsone disse...

Olá, chegado da "Fábrica de Letras". O efeito placebo do Dr. parece não surtir muito efeito no pobre moribundo. Tem a razão de, às vezes, as palavras (e muito mais a indiferença) serem maior veneno que o cigarro.

Orvalho do Céu disse...

Olá, querida Renata

" Das alturas orvalhem os céus,
E as nuvens que chovam justiça,
Que a terra se abra ao amor
E germine o Deus Salvador"...

Hoje estive numa Cidade grande e vi a indiferença no ar.... notória e visível aos extremos... Uma lástima!!!

Fico tão sem palavra para agradecer o carinho imensurável com que me cumula ao longo do ano que só posso lhe dizer que te amo fraternalmente...
Seja muito abençoada e feliz, amiga!!!
Bjm de paz e FELIZ NATAL... apesar de qualquer vestígio de dor em seu coraçãozinho....

"Quando eu estiver contigo no fim do dia, poderás ver as minhas cicatrizes,

e então saberás que eu me feri e também me curei."

(Tagore)

Utópico disse...

Tal como o cigarro, também a indiferença pode matar.

Aproveito para desejar um Feliz e Santo Natal!

http://utopiarealista.blogspot.com/2011/12/feliz-natal.html

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